Lembrar é resistir: Golpe nunca mais!

NOTA DO INSTITUTO PAULINE REICHSTUL SOBRE OS 51 ANOS DO GOLPE MILITAR

“Dentre os assassinatos levados a efeito pela Ditadura, figura o de PAULINE REICHSTUL (janeiro de 1973) revolucionária internacionalista, cujo nome orgulha e engrandece nosso Instituto”.

Por Fábio Chagas

Na virada do dia 31 de março para 1º de abril, 51 anos atrás, tropas do Exército marcharam de Juiz de Fora (MG) para o Rio de Janeiro, a fim de derrubar o presidente eleito João Goulart, e instalar uma ditadura militar e civil no país. Oficiais militares, apoiados por empresários nacionais e multinacionais, latifundiários, pela cúpula da Igreja e o Governos dos EUA, rasgaram a Constituição do país, derrubaram um governo eleito e impuseram um regime de terror de Estado por 21 anos. Sob o pretexto de impedir o avanço do comunismo no Brasil, promoveu-se um banho de sangue como Política de Estado, donde as prisões arbitrárias, torturas, assassinatos e desaparecimentos de opositores ao Regime.

Dentre os assassinatos levados a efeito pela Ditadura, figura o de PAULINE REICHSTUL (janeiro de 1973), revolucionária internacionalista cujo nome orgulha e engrandece nosso Instituto.

Uma herança maldita para os Direitos Humanos

51 anos depois, quem torturou, matou e apoiou o regime de terror ainda anda pelas ruas, impune do que fez. O Brasil aprovou uma Lei de Anistia que contraria todas as Decisões das Cortes Internacionais e todas as experiências vivenciadas em países da América Do Sul que vivem processos políticos semelhantes. Nosso Poder Judiciário, como poucos no mundo, se recusa a decidir pela punição dos responsáveis pela barbárie e, assim, seguimos , a despeito dos avanços da Comissão Nacional da Verdade, sem acessar mais profundamente a Verdade Histórica e cultivar nossa Memória. A Ditadura não inventou os problemas, mas corroborou para o aprofundamento deles, aprofundando, amplificando a tragédia da nossa concentração de renda, o monopólio quase intransponível dos meios de comunicação e as práticas inacabáveis de tortura pelo País.

A atualidade do Golpe

O Brasil vivia um momento de transformações sociais em benefício do conjunto da sociedade: distribuição de renda, Reforma Agrária, Urbana e Educacional, entre outras. A popularidade do presidente chegava a 69% de aprovação e isso motivou as velhas elites atrasadas a implodirem os ensaios democráticos daqueles tempos. Bloquear qualquer avanço que encaminhe nossas práticas políticas e sociais no rumo da Democracia, tem sido, ao longo de séculos, a nossa tradição política. O povo brasileiro foi censurado e reprimido para que a renda dos trabalhadores se transferisse para as classes dominantes.

Se é verdade que não vivemos sob o contexto da Guerra Fria e que nossa conjuntura se revela diferente da de 1964, por outro, assusta que em 2015, Partidos Políticos incentivem as manifestações proponentes da ruptura da Ordem constitucional. Existem algumas poucas semelhanças com as intenções golpistas daqueles anos e isto é já é o suficiente para que todos os democratas e progressistas enfrentem o desafio ocupando todos os espaços políticos, não apenas defendendo o Estado Democrático de Direito, mas também e principalmente, o aprofundamento da Democracia, conferindo-lhe uma feição mais concreta e substantiva.

Fábio Chagas, Doutor em História, Professor e colaborador do IPR

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